Existência conturbada, não é?
Acelerada e ritmada ao mesmo tempo em que é lenta e angustiante. A lágrima quente de tristeza que escorre pelo rosto alcança as curvas de um sorriso bobo de felicidade.
A dicotomia dolorosa do fogo e água é mágica esplendorosa que une dor e gozo.
Agita-te e te rebate nas cobertas da cama que te deitas, sacode os grilhões da corrente que te prende, morde o couro que tua boca amordaça. Passamos a vida inteira sendo sacudidos por sentimentos e emoções e correria e torções! Grita! Levanta-te da cama, arrebenta com o metal e rasga o couro que te impede! A paz sempre vem, meu bem.
Um liqüidificador de sensações, um filme que avança e retrocede, ó tu, ser humano, que corre cego em uma estrada que não sabe onde vai dar, tão complexo em tua miserável riqueza! Arranca teus cabelos e despeja o fôlego antes preso, deixa o suor cair e relaxe no segundo que antecede o remexer de tua mentalidade, a explosão de tua luz incandescente que compõe tua consciência.
Tu que passa pela pedra, pela água, pelo fogo e pelo ar, olha para trás e ri da chuva, carne exposta, sangue à mostra!
A calmaria que se segue, o vento fresco que bate, o calafrio que te remetes. O silêncio que tu, como o mar, faz pós-tempestade. Não é calmo ou furioso, não é bom ou mau, não é direito ou esquerdo. É tudo, formado por tudo e é a composição de tudo, todo o tempo. Existência que chora e faz rir. Senta, te ajoelha, te abraça e contempla.
Esta é existência tragicomédia.
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