Por que eu machuco outras pessoas?
Qual é o problema do mundo, que tudo o que se faz causa sofrimento? Amar é ruim, desgostar é pior. Tudo o que fazemos tem uma conseqüência direta, e cada vez mais parece que o meu prazer é a dor do próximo. São as pessoas as erradas, afinal!? Como posso acordar em um dia sabendo que ofenderei, maltratarei, magoarei alguém? Se é uma sina maldita essa que eu cito, imagine então como o meu travesseiro na próxima noite pesaria!
O mover de uma mão, o acender de um fumo, um sorriso, um beijo, dizer "sim", a mentira pela preguiça, o olhar de zoação, o sorriso pelo cinismo! São todas as armas invisíveis, as farpas que nos cobrem e que estão prontas para ferir! Parece que somos bonecos cheios de lâminas, cada qual um Edward Mãos-de-Tesoura que tudo o que toca acaba cortando.
Falta-me a perícia de viver, o conhecimento da existência para responder todas as perguntas que agora vêm até mim, mas a cada dia que encaro o caminho da vida mais surpresas me batem a porta e cada vez mais aquilo que eu aprendo parece me desanimar. O nihilismo toca a campainha, mas eu juro, não quero atender... eu sei que a vida é boa, mas não vejo como pode ser possível me manter consciente em um cenário tão agressivo e desgostoso!
Não quero mais vestir a capa de hipocrisia que todo dia antes me cobria, não quero sorrir ao espelho por trás da máscara de minha mentira, não quero me embriagar para fugir daquilo que deveria ser o motivo de minha vida. Eu posso, mas não quero! Para que isso tudo, então? Onde encontrar a razão que não seja afiada a ponto de cortar a minha mão, onde encontrar o caminho que não por meios que ludibriem minha mente e encantem meu coração? Nem mesmo a escrita é a minha companheira, até mesmo sou falho na porra da comunicação!
Eu tenho esperança, mas os outros não.
Não temos exemplos, não temos quem seguir. Eu queria um ídolo, eu queria um caminho, uma mão amiga que me ajude a rir. Um dedo apontando a trilha, ou um tapa de insentivo nas costas. Só existe zoação. Como ajudar os outros, aqueles que ao olhar em seus olhos, só vejo a morte e a cegueira em possessão? Não entendo como pesar os meus sonhos e como tirar alguma conclusão, não sei qual a minha obrigação.
Talvez, só talvez, um dia, eu possa acender aquele fogo dentro de alguém. Aquela chama espontânea que não é amor, mas insatisfação. Consiga fazer a mudança de verdade, que não ocorre entre quatro paredes, na rua ou em mutirão, mas na consciência, de cada um o coração...
Eu estou cansado, e só quero dormir e poder sorrir em paz.
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