domingo, 25 de novembro de 2007

A fuga da dama vermelha

É tu, dama vermelha, que foge em meu sonho.

Encontro teu rosto redondo em meio a miséria, e então amo. Páro e peço para descer, e ao pedir para ouvir tua voz, fraquejo: a avinhez me detém e a covardia me abraça.

Jogo com palavras magras e sem força, e meus olhos já não conseguem a tua silhueta visualizar. Corro pelas ruas a fim de te encontrar.

Em todo o contraste de teu vermelho com meu ciclo entristecido, é a voz do homem de fora que fala engraçado em meu ouvido: não há vermelho algum a se achar.

Que lástima, dama vermelha! Seria tu minha glória? E até em sonhos não é possível te encontrar! Um dia tua fuga de mim há de acabar.

Fone quebrado.

A música acabou.

A musa invisível, mais uma vez, já me abandonou.

Resta impertinente o zumbido do silêncio. Que aperta meus ouvidos, exatamente como as paredes que em torno de mim se fecham. A mudez que ecoa ao redor espreme a cabeça, força o pensamento.

Foi-se o momento de dançar ao sabor das ondas e sobre elas escrever.

Ao menos por hora.

Resta-me então, para desbravar caminhos de inspiração, usar o raciocínio ao invés da emoção.