Me emociono como penso: quanta beleza tem aqui nesse lugar!
É essa terra minha que me choca assim, quando eu nem espero encontrar!
É a falha, é o erro, que todo mundo vê, que todo mundo faz ficar
Mas dessa vez eu vi refletir em quem eu menos podia esperar
E quem diria! Finalmente vi a Glória! Minha Glória, meu luar.
Vi pouquinho, longe o suficiente pra não poder tocar
Perto o suficiente pra poder chorar
E é tão linda.......
É a graça de onde eu venho, sempre a me encantar
Que gente engraçada que vive lá!
Veja eu, agora me pondo a lacrimejar
E só de me lembrar:
Era ele entrando, homem mau e sujo. Homem de maltratos, homem de sofrimento, homem calejado.
Era o rancor, o odor, o preconceito, a falta de leito, o desrespeito.
Era ali, na minha frente, o desleixo.
A mulher que erra, a vergonha em balde, o constrangimento bate.
Houve a espera, o silêncio, o cheiro do fraco, do mortal. Os pensamentos, a descoberta daquilo que lhe é martelado todo dia em cima da cabeça, toda noite embaixo do travesseiro.
Vem a ira. A cara fecha. O cenho enrubesce. A noite desce. As nuvens chegam. O mundo morre. Todos estamos mortos.
E então vem aquele que como todo mundo, necessita.
E ali, no meio do mundo, é o feio, o sujo, o mau, que quem diria, faz o bem.
Era eu, agindo porque ele agiu.
É o orgulho, o carinho, o afeto que então bateu a minha porta.
É a vida que me cai.
O sorriso não vem. Não na boca.
Porque o mundo vive.
Todos estamos vivos.
O feio me disse.
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