segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Besteira, esteira estelar

Farol sobre rodas que me guia
Gigante que para se olhar, se empina
Sobre pastos rasos, flores, doces dores
Se persigo não ligo para o perigo
Se ando nunca chego, finjo que não ligo
Tempo e distância são meros atores
Se paro, não sei se decido

Pois a luz que conquista é tecido
Cai sobre o homem, o afasta da rapina
E o conforto costurado da distância, dos amores
Por mais que sonhe me aquecer contigo
Lá a estrela adiante, aqui meus fantasmas, temores

Dá medo pensar que quem amo é a vinda.
Que o que amo é a vida peregrina. Que ela me domina. Ser caça pega desprevenida. Meu braço não cruzar a esquina.
Dá medo pensar em você passar com uma aspirina.

sábado, 26 de setembro de 2009

Larga desse osso cachorro
Não espera pelo dono cachorro
Guarda o brinquedo agora cachorro
Deita no canto e dorme cachorro
A vida não é fácil cachorro

Recolhe tuas lágrimas cachorro
Não adianta correr cachorro
A lua não atende teu choro cachorro
Não ameaça morder cachorro
Larga desse osso cachorro

continua.............

Fatalista

O homem naturalmente nasce, envelhece e morre
MAS
A minha natureza é nascer, amar e morrer

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Churrasco Neandertal

Vou tentar lembrar de não errar E para não errar em lembrar
Vou riscar nas Paredes E para o ferro não esfriar
Vou sempre renovar E para nunca desmarcar
Vou queimar e sangrar E para a Glória cantar.
Ouvi contarem a história do câncer que não ataca a carne, mas sim a alma. O único sintoma é um rosto molhado e salgado, toda noite, antes de dormir. E não sentir gosto de nada.
Claro, a dor e a sede desse enfermo faz gente rir.

O pior é que esse câncer não mata.
Ou não é ele que mata.
Alguém se mata.
Será que Deus gostava de vê-lo salivando em uma vitrine?
Minha prioridade de vida tem nome próprio e código postal.
Mas não me ama não.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

fluxo

Quero afogar meu piano em lágrimas, e cantar.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Ai meu nadar, vou despencar

Vivo a minha vidinha e não saio do diminutivo
O destino mais concreto é o sussurro incerto do vento na maré
Como saber se são os anjos que estão falando?
Você certamente canta como um
E essa dança me cansa,
e a palavra
a palavra já não basta
É desgraçada
Pois machuca como navalha
Mas no pedido de desculpas
Não cauteriza nada.

Se na janela é o anjo mesmo
Abraça esse rapaz
Que tá pobre e tá perdido
Flertando o alto daquele prédio,
Pensando no último beijo,
Pensando na calçada.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Você me fez abrir meu quarto. Rompeu meu peito de assalto.
Pensando no papel de deus já não durmo sossegado.
De pé descalço no chão gelado (sinto cheiro de perfume de chuva)
Abro os braços para um relâmpago exagerado.

Quem disse pra mim teu nome?
Quem foi que me disse teu nome?

Aproxima-se o fim do espetáculo. O fulgor já foi guardado.
Meu quarto está vazio e abandonado.

Cicatriz

Me dá medo saber que sou tão pequeno
É horrível pensar que na vida toda
Tive só uma chance com você.
Eu devia ter me atirado
de vez
E lutado.

Só contigo ao meu lado
Livraria minha existência do pecado.
Te amo.
Tu e teu cheiro.
E te perder
Faz arder
Mais que ferro quente marcado.

Sei bem disso agora.
Tenho na carne as cicatrizes pra provar.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ontem ouvi da boca da velha mulher a verdade do dia e da vida
Poucos devem fazer muito pelos muitos que fazem pouco

Quero rasgar minha cabeça e expôr minha mente.

Olá plenitude

Hoje eu imaginei como deve ser difícil e macio
O sorriso do velho cansado
Para os sonhos que a criança aponta

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cada vez mais me torno menos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

O que faço?
Se eu nado e nado e nado
E morto na areia do trabalho
Ouço um errado malvado

Lutei meu caminho perdido?
Guardo tanto para ser esperança
Não posso ter tomado
O lado errado

Me perdoa meu amor do meu lado
Mas eu não vou
Mas eu não vou
Mas eu não vou
Mas eu não vou