Farol sobre rodas que me guia
Gigante que para se olhar, se empina
Sobre pastos rasos, flores, doces dores
Se persigo não ligo para o perigo
Se ando nunca chego, finjo que não ligo
Tempo e distância são meros atores
Se paro, não sei se decido
Pois a luz que conquista é tecido
Cai sobre o homem, o afasta da rapina
E o conforto costurado da distância, dos amores
Por mais que sonhe me aquecer contigo
Lá a estrela adiante, aqui meus fantasmas, temores
Dá medo pensar que quem amo é a vinda.
Que o que amo é a vida peregrina. Que ela me domina. Ser caça pega desprevenida. Meu braço não cruzar a esquina.
Dá medo pensar em você passar com uma aspirina.
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