sábado, 14 de novembro de 2009

Cruzamento do tempo

O ventilador sopra a poeira do quarto,
na mesa copos, papéis e um prato.
Está já meio da noite e batem a porta esses pensamentos:
O eu, o aqui, a esquina do amanhã, do ontem, do hoje;
e o gato se espreguiça ao meu lado.

Momento profundo, parado como um lago.
Sinto na ponta dos dedos os cabelos mais ralos
É meia-noite, não está tão quente, a casa está fazia,
o peito é que está lotado.
Penso na razão dessa nossa vida, na comparação com o afogado.
As costas dóem dando o recado,
já fazem anos que nisso estou debruçado.

Que mormaço! Que tempo enjoado!
Minha cama é macia, mas tem cheiro de desejo.
Gosto de retrucar um pouco, de olhar para o teto e chorar, obrigado.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Tenho pendências com meu escrito, mas é tão difícil.

No domingo eu prometo, na segunda eu amanheço, na terça eu agradeço, na quarta eu não apareço, na quinta sinto apego, e na sexta explode desespero.

Meu sábado tem mau humor.

Quando?

Quando muito triste, idéias e palavras eu escrevo.
Quando nada sinto, alguns desenhos eu rabisco.
Sempre que possível eu canto.
Quando feliz, aí eu nem imagino.