O ventilador sopra a poeira do quarto,
na mesa copos, papéis e um prato.
Está já meio da noite e batem a porta esses pensamentos:
O eu, o aqui, a esquina do amanhã, do ontem, do hoje;
e o gato se espreguiça ao meu lado.
Momento profundo, parado como um lago.
Sinto na ponta dos dedos os cabelos mais ralos
É meia-noite, não está tão quente, a casa está fazia,
o peito é que está lotado.
Penso na razão dessa nossa vida, na comparação com o afogado.
As costas dóem dando o recado,
já fazem anos que nisso estou debruçado.
Que mormaço! Que tempo enjoado!
Minha cama é macia, mas tem cheiro de desejo.
Gosto de retrucar um pouco, de olhar para o teto e chorar, obrigado.
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