segunda-feira, 29 de março de 2010

Pedaços de nós orbitam as dores. Odores de personagens que não deram certo.
Ainda não sabemos usar as lágrimas.
Em um movimento,
movi a mente e
me vi em memento:
Amor é vil e quente.

Mas um momento!
Esse pensamento é
puro ressentimento.
Puro sentir medo.
Se mexa! Movimente!
Semeia nova mente!
Se ame novamente!
Seja menos valente!

Amor é ciumento.
A dor é somente
do ardor monumento!


O doador é quem segue em frente.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um para você crescer e um para você encolher.
Que horas são, Alice?
Quando você vai parar de caçar coelhos?
Que horas são, Alice?

Ou seria você só pequena?
Quando não houver toca nem chá para todo o mundo,
que horas serão, Alice?

Lembre-se do que a Porta disse.
Ele não vai parar de tocar.

Você viu seus rasgos nos dedos, seu corpo nu a lutar,
o brilho do suor no dorso, e sentiu ele como um pêndulo balançar.

Você sentiu as faixas rubras, as teclas lentamente pressionar,
o beiço perder o gosto, e mentiu prometendo que não iria chorar.

Você ouviu todos os seus medos, e só restou tu para cantar
o blues que leu naquele rosto. E garantiu que um dia irá mostrar.

?

Nós dois sabemos.
Ele não vai parar de tocar.

É questão sutil

de perceber a correta vibração,
a esperança, frequência, exatidão.
Que namorar roçando o quadril, sem vingança, diz clareamento, excelência.
Quem não vê isso é caveira, é trapaceiro, é desprestigiado. Que desliza dedo sem ter piano nem violão, que corre brabo, sempre afasta o prato, até viaja em quadro.

Não é eu quem digo, viu?
Pago fiança, paciência, luxação.
Diariamente amo mil, sou criança. Meu juiz acabou sendo a violência,
que é nua, é verdadeira, sem me dar travesseiro, mas tampouco me deixar de lado. Com ela, sem medo, sigo o plano de antemão: leio Prado, visto um trapo, amo vezes quatro.