Aqui é o agora, agora é o que respiro. E isso tudo é aquilo que expulsei do meu pulmão.
é difícil de descrever, essa mudança de humor, esse estado de alteração.
A pele arrepia, como todo instinto animal
O calor é insuportável, como antes de todo temporal
A visão se distorce em luzes, já estou fora do estado natural
E então vem, ele, o azul.
Ele passa e me leva tudo em arrastão.
A coragem, a disposição...
a disponibilidade, a concentração...
a bondade, a inspiração...
resta-me só a péssima companhia
da maldade e da imaginação.
Esse trem passa e eu ali, nos trilhos,
ele é fantasma que é não assombra e sim recorda, me recorta.
Quando vem o azul, viro cachoeira.
Só sei desaguar em rio longe, me estico até o horizonte, sinto todas minhas margens tocar até não sei onde.
Ai que tortura!
Mas ela chega ao fim, não demora.
Os demônios vão embora,
esse estupro é veloz.
Ali estou eu de joelho no chão, ferida na mente, arrependimento e oração... às ganas de concluir o sacrifício e entregar de uma vez esse maldito coração gordo, estúpido, atroz.
