sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O azul, ele vem em ondas

e de repente explode em mim. Se abro os olhos, não sou eu mais que aqui estou.
Aqui é o agora, agora é o que respiro. E isso tudo é aquilo que expulsei do meu pulmão.
é difícil de descrever, essa mudança de humor, esse estado de alteração.

A pele arrepia, como todo instinto animal
O calor é insuportável, como antes de todo temporal
A visão se distorce em luzes, já estou fora do estado natural

E então vem, ele, o azul.
Ele passa e me leva tudo em arrastão.
A coragem, a disposição...
a disponibilidade, a concentração...
a bondade, a inspiração...

resta-me só a péssima companhia
da maldade e da imaginação.

Esse trem passa e eu ali, nos trilhos,
ele é fantasma que é não assombra e sim recorda, me recorta.
Quando vem o azul, viro cachoeira.
Só sei desaguar em rio longe, me estico até o horizonte, sinto todas minhas margens tocar até não sei onde.

Ai que tortura!
Mas ela chega ao fim, não demora.
Os demônios vão embora,
esse estupro é veloz.

Ali estou eu de joelho no chão, ferida na mente, arrependimento e oração... às ganas de concluir o sacrifício e entregar de uma vez esse maldito coração gordo, estúpido, atroz.

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